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Conexões Improváveis! A Escutatória com Adhocracia

julianavidalmarcon
27 de jul.
2 min de leitura

por Rogério Assis Brasil


Tenho me perguntado, agora que cheguei aos 50 anos, para onde vai esse gosto ou, talvez, essa habilidade de conectar pessoas, ideias e projetos a caminhos. Olho para trás e vejo, na minha trajetória profissional, passagens e entregas na iniciativa privada, sociedades, atentas equipes, academia, associações e pelo poder público. 


Talvez tenha sido justamente essa diversidade de interessantes experiências, aliada aos ensinamentos familiares e às formações que tive, que me ensinou que conectar é muito mais do que apresentar pessoas.


Para muitos, isso pode parecer quase um gesto superficial. Algo como: “fulano precisa conhecer ciclano, então vou passar o contato”. Mas, com o tempo, fui entendendo e procurando aprimorar isso todos os dias que uma conexão verdadeira nunca começa na apresentação. Ela começa muito antes.


Começa na construção das relações, no aperto de mão, na reputação de ambos, na confiança, na leitura do momento e, principalmente, no respeito ao espaço do outro. Sim, respeito ao espaço, ao tempo e até ao horário do outro. Afinal, uma boa conexão não depende apenas de quem aproxima, depende também de quando essa aproximação faz sentido.


Conectar não é ser invasivo, não é insistir, não é colecionar contatos, não é ter pressa nem ser afoito, até porque nasci de nove meses. E muito menos aproximar pessoas apenas por conveniência.


Todos temos interesses e não vejo problema algum nisso. O que faz diferença é quando esses interesses são verdadeiros, transparentes e éticos. Uma boa conexão precisa fazer sentido para quem conecta, mas, sobretudo, para quem está sendo conectado.


Talvez por isso eu valorize tanto a “Escutatória”, que é a arte de saber escutar. Não apenas ouvir o que está sendo dito, mas perceber contextos, necessidades, silêncios, possibilidades e pontos de convergência. É pela escuta que, muitas vezes, encontramos caminhos. Falo de ser especialista em conexões improváveis.


Gosto muito desta ideia: quem não escuta dificilmente conecta, apenas aproxima.


Há também um segundo elemento que considero essencial que é o olhar "Adhocrático". A capacidade de não ficar preso apenas às estruturas, aos caminhos já desenhados ou à lógica do “sempre foi assim”. É olhar para uma situação e perguntar: quem deveria estar nesta conversa e ainda não está? Que competência está fora da sala?


Talvez seja isso que mais me mobilize: perceber que pessoas, instituições, ideias e territórios carregam possibilidades que nem sempre estão visíveis. E que, muitas vezes, o papel de alguém não é ocupar o centro, mas compreender o contexto, o todo, os olhares, os silêncios, escutar com atenção e aproximar as partes certas no momento certo. Algo como reger uma orquestra.


Bueno!! Conectar, para mim, nunca foi sobre ter uma grande agenda de contatos. É sobre construir confiança suficiente e gerar valor para que, quando uma ponte for necessária, as pessoas aceitem atravessá-la.

Ponto!!


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