Complementariedade! Estratégica e Necessária.
por Rogério Assis Brasil

Hoje pela manhã, durante uma fala com colegas sobre a relação entre empresas, pesquisa, pessoas e governos, lembrei imediatamente de algo sobre o qual estamos nos debruçando há bastante tempo: as DeepTechs.
Antes de prosseguir, uma memória: Em 2009, quando dava meus primeiros passos no poder público, ainda como técnico em meio ao ambiente político, eu já carregava uma inquietação: quando a pesquisa viraria PIB? Qual seria, de fato, o impacto do conhecimento científico no desenvolvimento de uma cidade, independentemente do seu tamanho ou estrutura?
Foi lá, em Santa Maria/RS, cidade acolhedora, que iniciei uma jornada movida por curiosidade, mas principalmente com pessoas que acreditavam e construíam junto a travessia entre academia e cidade.
Voltando ao ponto. DeepTech não é apenas sobre tecnologia, inovação e pesquisa robusta. É sobre posicionamento de futuro. Nos acostumamos, nos últimos anos, a tratar inovação como algo essencialmente incremental, em muitos casos: novos aplicativos, novos modelos, novos ingredientes, soluções digitais. Tudo isso é relevante, mas não
é suficiente.
O verdadeiro salto de competitividade está na capacidade de transformar ciência em negócio, sem desatentar para segurança jurídica e regulatória. Leia-se Conhecimento em PIB.
E aqui está o ponto central: não se trata de escolher entre cientistas ou empresários. Trata-se de construir COMPLEMENTARIEDADE. Complementaridade, aliás, é a palavra-chave.
Lembrei que para muitos:
Cientistas/Pesquisadores produzem conhecimento
Empresas transformam conhecimento em escala
Governos criam condições para que isso aconteça c/ direção e impacto
É exatamente nesse encontro que as DeepTechs nascem e se fortalecem.
Quando empresas passam a atuar como laboratórios (ou se conectam a eles), a academia olha para indústria e visualiza algo além, com isso a pesquisa deixa de ser isolada e passa a ser estratégica.
Quando o risco tecnológico deixa de ser barreira, ele se transforma em vantagem competitiva e o mercado, a “gôndola”, se torna mais sofisticado, próspero e até mesmo sexy.
Penso que quando há união entre pessoas, academia, empresas e governos, o
cenário muda. Entender isso não é apenas inovar, é mudar o patamar de
desenvolvimento.
Acreditamos que tratar ciência como negócio é construir soberania. O desafio já não é mais “se” devemos avançar nessa agenda entre público e privado. A pergunta agora é: como estruturamos esse processo de forma intencional, coordenada e contínua?
De outra forma, acredito que as cidades, como ecossistemas diversos, têm papel central: acolher, testar, promover e absorver tais transformações.
Por fim, o futuro não será liderado por quem apenas consome tecnologia e inovação, mas por quem transforma conhecimento em desenvolvimento real.
Instituto Assis Brasil

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